NOVE MESES DEPOIS DO CARNAVAL...

Carnaval, diversão, folia, fantasias e muita sensualidade. Em meio a confetes e serpentinas, as festas de carnaval tomam conta do país inteiro, parecendo que tudo vale e nada é pecado. Desfiles e bailes até o raiar do dia com uma legião de foliões animados, aproveitando ao máximo aquilo que é oferecido uma vez ao ano. Viva o carnaval! Mas cadê eles? Onde estão o pierrô e a colombina? Vai ver se perderam no salão levados pela inocência dos tempos passados, quando era uma verdadeira ousadia o rapaz assanhado ter o atrevimento de roubar um simples beijo da moça encabulada, que então ficava vermelha de vergonha. Quanta coisa acontece durante o carnaval, a malícia sem limites, sexo e erotismo, onde parece que nada é levado a sério. De certa forma é até difícil resistir a tudo aquilo quer fica exposto aos olhares e às mãos. Só cego não vê! Depois, passado o carnaval, curada a ressaca, foliões caminham com ares de inocência pelas ruas, como se nada tivesse acontecido. Mas e como aconteceram coisas, desde belas e sensuais mulheres até aquelas com celulites e silicones pouco se importando com as coisas, afinal, o mais importante é se divertir, curtir ao máximo sem se preocupar com eventuais consequências futuras. Com tanto suor derramado em todos os dias de carnaval, talvez até fosse possível encher um oceano em algum planeta sem vida, só para os astrônomos observarem pelos telescópios os peixinhos safados. Mas passada a ressaca que contagiou a todos, passado o tempo, é chegado o momento de deixar as fantasias e lembranças de lado e bater de frente com a realidade, pois com certeza deverão vir muitas surpresas, os saldos de tanta folia. É chegado o momento de surgirem as consequências. Nove mês depois do carnaval, eis quando no berçário das maternidades ficam repletos de recém nascidos, e os bebês em sintonia até parece que estão chorando em coro. Eis que surge o desespero em busca de um pai que nem é conhecido ou que sumiu. Nem é sabido o nome da pessoa com quem houve o acasalamento festivo. E na hora do registro de nascimento da criança, a única opção é declarar pai desconhecido. Desde bebê já carrega um trauma por toda uma vida, sem nem ter culpa alguma da irresponsabilidade dos seus gestores, que só tinham como objetivo aquilo que era para ser somente alegria e diversão. Será que antigamente o pierrô também passou a mão na colombina, ou somente brincavam sem malícia no meio do salão? Até o próximo carnaval...

29/05/2025 0 Curtidas