Doutor, aí que dor. E quem dera fosse apenas uma dor de cabeça passageira ou mesmo uma dor de barriga, daquelas que dá na gente quando se fica muito nervoso, quem sabe até uma dor de dente que nos faz ficar uma noite inteira acordado e sem conseguir dormir. Mas o mal que aflige é bem mais grave. Doutor, como dó ver tanta coisa acontecendo por aí enquanto ficamos a mercê diante da tristeza, da insegurança e do medo do dia de amanhã. Tristes ao vermos as crianças que deveriam representar o futuro, mas que tem suas vidas comprometidas porque suas barrigas roncam vazias e suas bocas se abrem dizendo “estou com fome”, ao mesmo tempo que seus olhos ainda transmitem um fio de esperança de que tudo ainda possa ser diferente. Tristeza também ao vermos os idosos que tanto fizeram outrora pensando num futuro bem diferente deste, onde ironicamente eles mesmos integram a fila do desespero em busca do que lhes é devido por direito. Mas buscam em vão enquanto são consumidos pelos dias que se passam e que lhe restam, e pelas necessidades de sobrevivência cada vez maiores. E eles ainda tem esperanças... Doutor, dói demais essa insegurança que se alastra e toma conta de toda uma Humanidade já tão sofrida no decorrer dos tempos, ao mesmo tempo em que a grande maioria se sente indignada ao presenciar uma minoria avarenta que insiste ser corrupta, onde o bem comum é o que menos importa. E dói muito ver tanto em poucos bolsos, enquanto tão pouco ou quase nada em tantos estômagos, que não se calam como se dizendo em coro “queremos comida”. Doutor, a dor é insuportável só em pensar no medo do dia de amanhã, pois é preciso que o Sol brilhe para todos intensamente, para que possamos ir e vir livremente pelos caminhos terrenos, lapidando sabiamente nossas almas para que tenhamos o direito de um dia mudarmos de plano espiritual, onde ao que parece só terá lugar a grande maioria restando para a minoria saborearem os frutos do inferno que criaram. Eis quando lá no paraíso aqueles que antes formavam a legião dos sofredores, então vão ouvir daqueles que aqui ficaram seus gritos desesperados de “ai, que dor”. E para aqueles que acreditam no final dos tempos, antes que isto eventualmente possa ou venha acontecer, que tal então por fim a tantas dores e sofrimentos alheios. Ou será que só quem leva a pedrada deve sentir a dor?
01/06/2025
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